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sexta-feira, 17 de julho de 2015

E A PREGUIÇA...

Blergh. Escrevi aqui, há um bom tempo, que a obrigação diária que o meu cachorro me impõe era o que me impedia de descansar plenamente. Lavar o canil, etc.
Pois queria dizer que hoje isso é como escovar os dentes para mim. Normalíssimo.
Assim, corrijo Trollope: uma obrigação diária, se for mesmo diária, com o tempo só poderá nos fortalecer.

segunda-feira, 3 de março de 2014

LENDO HEIDEGGER, TOMANDO DECISÕES...

Mergulhando no cúmulo da abstração heideggeriana, e decidindo, muito seriamente, fazer faculdade de Filosofia logo que terminar esta de Letras que estou fazendo.
Na verdade, algumas decisões foram tomadas estes dias. A já mencionada acima, a de tentar trabalhar na iniciativa privada, como professor de português mesmo, e, possivelmente (esta ainda está em "tramitação"): optar definitivamente pelo celibato.
Há muito para estudar. É preciso crescer. Talvez não dê mesmo para me dedicar a alguém...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ME CONTRADISSE.

Caí em contradição. Escrevi, aqui, há poucos dias que não "convém contrariar a própria natureza, em nada", e escrevi também que quem não combate as próprias misérias não está longe do orangotango.
Ponho aqui o reconhecimento do erro. Vou pensar.
Novas ideias, espero, a caminho.

E O HÁBITO DE SOFRER...

Não sinto prazer em sofrer. Mas sim, a melancolia me dá prazer.
Melancolia é um quase-sofrer, uma tristeza mais leve, com um gosto de chuva caindo, e cheiro de passado, de lembrança, de saudade.
Talvez até, a saudade de tudo que ainda não se viu...
Sim, eu sou melancólico.
São momentos deliciosos, pra dizer a verdade.
Mas não podem ser forçados. Têm de ser naturais.
Ou seja, é de vez em quando que se experimenta a melancolia genuína.
A bem da verdade, é pra se dar graças a Deus.



sábado, 8 de fevereiro de 2014

OUTRIDADE?

Me deparei com uma outridade autêntica, escrevendo um conto. As personagens não são, realmente não são, e isso é novo, daí a ênfase, não são ecos da minha própria alma. Têm personalidade diferente de qualquer projeção que eu faça a partir da minha. Ou, ao menos, é o que penso no momento.
Mas o que queria dizer aqui, de fato, é que tomei consciência de que a busca pela outridade não é a única maneira de escrever, de criar seriamente. Projetar a partir de si mesmo pode ser, sim, uma forma de produzir literatura de qualidade, se essa for a sua forma autêntica, natural. Sim, natural: não convém contrariar a própria natureza, em nada.
Me despeço, assim, de uma fase, e de uma certa culpa.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PARA A MOÇA DO 8012, DA XEROX, DA BIBLIO FLORESTAN FERNANDES...

Moça, queria deixar aqui mais um poema para vc, mas estou com problemas de internet em minha casa, por isso só posso deixar, agora, a promessa de um poema, quando as aulas voltarem.
De todo modo, reforço que vc é muito, muito gata, e que eu ainda me encontro apaixonado.
Espero mesmo que reatemos nossos "ensaios", isto é, nossa paquera, brevemente.
Um beijo!

domingo, 19 de janeiro de 2014

EU: SÍSIFO?

Escrevi aqui, no fim do ano passado, que nada mais me dava prazer.
Pois é. Não é bem assim. Há algumas atividades que ainda me dão prazer; e ler é, sim, uma delas. Acho que eu estava cansado, quando escrevi aquilo. Cansado: só isso. Li três ou quatro romances curtos agora em Janeiro, com muito prazer, e estou prosseguindo com a leitura de A cerimônia do adeus, de Simone de Beauvoir, com as entrevistas do Sartre (sim, já estou na parte das entrevistas), e como está agradável essa leitura! Estou aprendendo com, e gostando mesmo dela.
Só resta, então, dizer que apesar disso, a vida só vai ser boa quando for dividida com uma meia laranja, e há uma candidata fortíssima, essa para quem escrevi os últimos poemas de amor deste blog (por últimos quero dizer: até o momento). Ah, moça. Estou com saudades.
É isso.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A IMPONDERABILIDADE DAS COISAS HUMANAS

É engraçado. Eu sempre encontrava, em romances, contos, etc., aquela passagem de enredo: "mas fulano sabia que sicrano não faria isso", ou "e tudo acabou correndo como beltrano sabia que correria", e sempre me sentia estúpido, porque não conseguia fazer isso na minha própria vida, isto é, prever o comportamento dessa ou daquela pessoa, por mais que a conhecesse. O comportamento humano, e mais geralmente as próprias pessoas, tomadas em si mesmas, sempre me pareceram complexos demais, imprevisíveis, imponderáveis. Eu jamais senti que conhecia de fato alguém. Pois é. Mas só hoje, deitado na cama, descansando da leitura, foi que me caiu a ficha que quem está certo provavelmente sou eu...  

domingo, 29 de dezembro de 2013

EU: SÍSIFO

Quem me ouve dizer que li, este ano, 80 livros, e que li 96 no ano passado, sendo muitos deles catatais de quatrocentas ou quinhentas páginas, deve imaginar: esse cara gosta de ler! Ledo engano. Só me dão prazer as duas primeiras e as duas últimas páginas de cada livro. Todo o resto, isto é, o miolo, me é extremamente maçante. Mas eu leio tudo. Tudo mesmo. E há livros que já li quatro ou cinco vezes (claro, com um intervalo razoável - medido em anos - entre uma e outra leitura). E sem pular nada, mesmo nas releituras. Trata-se, então, de um masoquista? Não, amigo(a). Não se trata não. Acontece que na vida para se realizar alguma coisa é indispensável a disciplina, e este é meu point aqui: a disciplina surge justamente ali onde o prazer não está. Se vc é daqueles que só fazem o que gostam, vc não realizará praticamente nada nesta vida, sinto muito te dizer. E escrever, então? Mil vezes mais maçante do que ler! Mas já escrevi bastante coisa, também. Uns 30 contos; um romance curto, experimental, mas ainda assim um romance; 200 mini-contos, e quase 700 poemas; isso ao longo de dez anos. É até que uma boa produtividade.
Mas devo confessar algo, aqui: é que me vejo encurralado: não gosto mais de fazer seja qual for a atividade, mas também não gosto de não fazer nada. Só há uma coisa de que gosto: ficar enrolando na cama antes de levantar. Sou capaz de enrolar por quatro ou cinco horas. Meu prazer, e único. Assim também não dá. Se a disciplina é necessária, isso, no entanto, já é uma rotina para Sísifo nenhum estranhar. Eureka! É isso o que eu sou: um Sísifo!
Enfim, termino aqui, por enquanto. A pedra já rolou montanha abaixo. Tenho de subir com ela de novo.
Abraços, e feliz Ano-Bom, para quem puder tê-lo!  

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

PENSAMENTOS

Só resta pedir desculpas pelo desejo, que não consigo disfarçar, de me aproximar da perfeição.

Só resta sorrir e me ofertar ao desconhecido, sem esperar qualquer tipo de recompensa.

Mas na verdade, não sei o que resta, e também não sei para quê.

É preciso trabalhar.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

SIMPLES E DIRETO: UM FELIZ NATAL!

Só queria dizer alguma coisa que faça aquele que me lê abraçar o espírito da época com tudo o que tem. Mas como não sei se é possível (talvez esteja além de minhas forças), apenas passo por aqui para lembrar a todos que a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao próximo, e mais geralmente o amor devem estar na base de tudo o que fazemos, todo o tempo, todos os dias, e com relação a tudo que nos cerca, ao menos tudo o que é vivo (ok. Reconheço: excetuam-se as baratas, os ratos, etc., rs).
Um abraço, de coração,
e um Feliz Natal!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

E DO QUE VEM...

Mas algo se anuncia, para o futuro próximo. E será uma felicidade tamanha, mas tamanha, que fico sem saber que dizer a respeito.
Olha, vou te contar: por isso sou capaz de enfrentar até um batalhão de fuzileiros, armados até os dentes.
Por favor, minha bela moça, por favor eu te peço: não se engane com alguma tristeza que emane de meus escritos, e de mim mesmo, ou com alguma fraqueza que eu pareça ter: eu sou capaz de muita, mas muita coisa mesmo, pra ter o teu beijo (claro, uma metonímia, rs...).
Aqui está um homem de vontade mais que férrea: acredite.
Até!

domingo, 15 de dezembro de 2013

ANO QUE VAI, ANO QUE VEM...

Vem chegando o Ano-Bom, e eu começo a fazer o balanço do que vai, e a pensar o que esperar do que vem. Este 2013 foi um ano de fortalecimento. 2012 havia sido um ano de ajuste, de aprendizado, de correções. Este não: quase não mudei uma vírgula na minha linha de atuação; apenas enrijeci, fiquei mais robusto, mais duro, mais tenaz.
Júlio César, o general romano, já nomeava o que fazia a fraqueza dos gauleses: o abrandamento da vida, em facilidades e "riquezas" que diminuíam o moral, e o fazia em comparação com os germanos, cujo estilo rústico e despojado de viver constituía um fator determinante de sua força e eficácia militar.
Pois Deus foi, digamos, bem austero, bem cuidadoso, comigo neste 2013: uma otite que durou seis meses, com corrimento interno e dores espaçadas, e cujos vestígios ainda me incomodam vez por outra; e uma diarreia crônica, diária o ano todo (com raríssimos momentos de trégua), que me impediu qualquer aventura que incluísse uma distância muito grande de um banheiro limpo e decente. Tudo isso para ficarmos no campo da saúde, porque no geral há também o meu cachorro, que me obriga a uma tarefa igualmente diária, sem absolutamente nenhuma interrupção, de lavar a varanda, catar merda, sair com ele para passear, etc. Como disse Trollope: "uma obrigação diária, se for realmente diária, se converte num fardo que deixaria o próprio Hércules exausto a mais não poder", isto é, com meio metro de língua pra fora (pode parecer pouco, mas é precisamente o cachorro que me impede de descansar, de me refazer por completo).
Então, como disse, me fortaleci. Me adaptei a uma vida mais enxuta, mais férrea. Mas espero algum abrandamento para o ano que vem. Nada que me enfraqueça, claro está, mas apenas que me canse menos e me faça sorrir mais. Será pedir muito?  

domingo, 24 de novembro de 2013

DO CONCRETO, DO ABSTRATO

Há autores mais concretos, e outros mais abstratos. Os primeiros nos ofertam descrições de visualidades, de cheiros, de sensações táteis, e ofertam um sem-número de observações factuais: em suma, a Objetividade; os últimos nos brindam com mergulhos psicológicos, com abismos filosóficos, com sutilezas de máscara e de visão: em suma, os muitos mundos da Subjetividade.
Poderia citar como concretos Goethe, Italo Calvino e principalmente Hemingway. Como abstratos, Dostoiévski (claro) e Albert Camus.
Devo dizer, sou fã de carteirinha dos abstratos, e confesso que os concretos me causam dificuldade na leitura. Talvez isso se deva à minha personalidade introspectiva e distraída, mas não tenho certeza.
Talvez.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

MAIS NOTAS...

I've seen simply wonderful legs this afternoon, in the library...

"Insiste que você consegue" - Isso foi pra mim?! Será?! Só tenho a dizer: "yahooooooooooo"!

Uma quadrinha:
"Ela balançava as pernas, deliciosamente brancas,
sem saber que com elas, ao mesmo tempo,
balançava vagarosa, como em sonho, um rebento
no balanço improvisado de uma esperança..."

Moça, isso não vai ficar só na internet não. Te prometo. Mas vamos com calma, aproveitando a delícia de cada momento. Vai chegar a vez de falarmos cara a cara. Na verdade, sinto que vou sonhar com isso a cada minuto, daqui pra frente.


sábado, 16 de novembro de 2013

ALGUMAS NOTAS

O mundo está tão cheio de beleza e de espanto, de maravilhamento, que é até possível passar por ele sem se deixar derrubar quando ele nos corta a carne, e nos rasga e nos sangra, sem que nada tenhamos feito de mal.

Tive uma intuição hoje, quem sabe mesmo uma mensagem vinda do além, de algum além, dentre muitos possíveis: minha literatura e filosofia, se existem, são uma busca desesperada por Iluminação. Será?

Para variar, estou amando de novo, e não a mesma moça. Ninguém entende Vinícius de Moraes como eu entendo...

A música me faz pensar em ti, "Alessandra", nestes dias ela tem me trazido o teu rosto minuto a minuto. E o verso que mais me emociona é: "You know I've seen a lot of the world can do/ And it's breaking my heart in two/ Because I never want to see you sad girl", claro, de Cat Stevens (Yusuf), o "mago" que capturou e escravizou meus ouvidos, desde ontem.

Eu poderia citar também Cartola, e O mundo é um moinho: Ah, como eu queria te proteger, minha linda moça, da mão de pilão do Tempo e da Vida-Realidade, mas... estamos fadados. Eu também.

O Natal vem chegando, e meu coração começa a compassar, e meu sorriso quer aparecer, e minha mão quer ser estendida: a quem?




 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

OBJETIVAR-SE

O homem é presa de si mesmo, quando objetivado por condições criadas subjetivamente.
Explico: acontece quase sempre de um indivíduo forjar uma situação para si mesmo, empenhando força de vontade e toda sorte de meios, lícitos ou não, e de repente: heureca! A situação como que se fecha em torno dele, não o deixando sair mais.
Isso é, para ser sucinto: objetivar-se.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

SAPOS-BOI

A última vez em que prometi estar fazendo algo pela última vez... Espera, não foi bem assim. Foi depois. Eu prometi que aquela vez, dias antes desse da promessa, haveria de ser a última: tratava-se de engolir um sapo-boi. Eu tinha engolido vários, numa sequência. O fato é que está fazendo 10 anos agora em 2013, e eu continuo cumprindo com a promessa. Pra dizer a verdade, ainda não fui testado com rigor, mas... alguns testes meio que duros já aconteceram.
Não sou, no entanto, idiota ao ponto de achar que vou conseguir cumprir até o dia de me despedir de vez daqui. Apenas sigo afirmando a intenção de lutar.
É simples: dignidade. Ninguém vive sem isso.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CONCLUSIBILIDADE

Quando eu era mais jovem, era relativamente fácil apontar razões e significados para as coisas. E eu tinha uma certeza quase sempre radical delas.
Hoje, aos trinte e seis anos, tudo se tornou tão complexo, há sempre um embate de razões para todo e qualquer fenômeno. A conclusibilidade das coisas vai se rarefazendo, vai se tornando um ponto perdido num horizonte de conjeturas, de silogismos, de induções e deduções...
Quanto mais estudo, mais sei, e menos posso afirmar...

domingo, 28 de julho de 2013

CARLO EMILIO GADDA

Acabo de terminar a leitura de A Adalgisa - Quadros milaneses, de Carlo Emilio Gadda. São contos, no mínimo inusitados, vão e vêm no tempo, e no espaço, e nos eventos, com uma linguagem que no começo parece pedante demais, mas que depois, conforme notamos que o autor sustenta o estilo, se afigura original, forte, mais do que isso: pujante. E tudo isso para não falar na deliciosa ironia de Gadda, seus eufemismos sarcásticos, seus neologismos satíricos.
O livro, ao percebermos que há uma continuação entre os contos, que personagens se repetem, e eventos se encadeiam, poderia ser considerado um romance fragmentário, uma espécie de crônica de Milão, da Milão do início do século XX. E quanta acidez ao descrever essa cidade tão presente nos sonhos dos peregrinos...
Leitura fundamental.