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domingo, 14 de agosto de 2011

AN DEN MOND

And den Mond, de J. W. von Goethe:

Füllest wieder Busch und Tal
Still mit Nebelglanz
Lösest endlich auch einmal
Meine Seele ganz;

Breitest über mein Gefild
Lindernd deinen Blick,
Wie des Freundes Auge mild
Über mein Geschick.

Jeden Nachklang fühlt mein Herz
Froh - und trüber Zeit,
Wandle zwischen Freud' und Schmerz
In der Einsamkeit.

Fließe, fließe, lieber Fluß!
Nimmer werd' ich froh,
So verrauschte Scherz und Kuß,
Und die Treue so.

Ich besaß es doch einmal,
Was so köstlich ist!
Daß man doch zu seiner Qual
Nimmer es vergißt!

Rausche, Fluß, das Tal entlang,
Ohne Rast und Ruh,
Rausche, flüstre meinem Sang,
Melodien zu,

Wenn du in der Winternacht
Wütend überschwillst,
Oder um die Frühlingspracht
Junger Knospen quillst.

Selig, wer sich vor der Welt
Ohne Haß verschließt,
Einen Freund am Busen halt
Und mit dem genießt,

Was, von Menschen nicht geweßt
Oder nicht bedacht,
Durch das Labyrinth der Brust
Wandelt in der Nacht.

TRADUÇÃO (POR MIM):

À LUA

Enches de novo relva e vale,
Quieta, com brilho nevoeiro;
Libertas enfim uma vez mais
Minha alma inteira.

Deslizas sobre meus terreiros,
E teu olhar alivia,
Ameno, como os olhos do companheiro,
Minha sina.

Cada eco sente meu coração,
De alegres e tristes tempos,
Fazendo-o balançar na solidão,
Entre negros e doces sentimentos.

Corre, corre, rio amado!
Jamais serei contente;
Como a fidelidade, ao passado
Beijos e gracejos pertencem.

Eu, de fato, tive tudo isso,
Que delicioso!
Lembrar sempre da agonia
Que um dia nos perturbou!

Fala, rio, correndo pelo vale,
Inquieto, em rebeldia,
Fala, geme meu cantado
Sua melodia,

Quando tu, na noite de inverno,
Cresces  furiosa
Ou pela voz da primavera,
Jovens brotos afloram.

Bem-aventurado quem, ante a estrada,
Protege-se de todo ódio,
E tendo amigo desinteressado,
Com ele goza,

Aquilo, jamais adivinhado,
Nem pensado por humana mente,
E que, através do labirinto da alma,
Em noite se converte.




sábado, 23 de abril de 2011

Das Wiedersehn, de F. G. klopstock

DAS WIEDERSEHN:

Der Weltraum fernt mich weit von dir,
So fernt mich nicht die Zeit.
Wer überlebt das siebzigste
Schon hat, ist nah bei dir.

Lang sah ich, Meta, schon dein Grab
Und seine Linde wehn;
Die Linde wehet einst auch mir,
Streut ihre Blum' auch mir.

Nicht mir! Das ist mein Schatten nur,
Vorauf die Blüte sinkt;
So wie es nur dein Schatten war,
Worauf sie oft schon sank.

Dann kenn ich auch die höhre Welt,
In der du lange warst;
Dann sehn wir froh die Linde wehn,
Die unsre Gräber kühlt.

Dann... Aber ach ich weiss ja nicht,
Was du schon lange weisst;
Nur dass es, hell von Ahndungen,
Mir um die Seele schwebt!

Mit wonnevollen Hoffnungen
Die Abendröte kommt:
Mit frohem, tiefem Vorgefühl,
Die Sonnen auferstehn!

TRADUÇÃO (POR MIM):

O REENCONTRO:

O universo nos separa,
Porém não o tempo.
Quem dos setenta já passa,
Aproxima-se de teu alento.

Há muito vi, Linda, teu túmulo
Sob árvores a balançarem;
Um dia, elas balançarão sobre mim,
Como a mim presenteiam suas flores agora.

Mas não! É apenas a minha sombra,
Sobre a qual cai a folhagem;
Como, antes, foi só a tua sombra,
Também abençoada pelas árvores.

Saberei então mais altos mundos,
Nos quais por muito tempo tu viveste;
Então veremos alegres o dançar da folhagem,
A cobrir nossos túmulos com ar fresco.

Então... Mas oh! Eu não sei nada,
Do que tu já por tanto tempo sabes!...
Apenas sei de um vivo pressentimento,
Que me toma a alma no presente:

Esperanças de vida além
O crepúsculo próximo traz:
Novos e felizes momentos
O nascer do sol anunciará!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Shakespeare traduzido - parte I

Those hours that with gentle work did frame
The lovely gaze where every eye doth dwell,
Will play the tyrants to the very same,
And that unfair which fairly doth excel;
For never-resting time leads summer on
To hideous winter, and confounds him there;
Sap check'd with frost, and lust leaves quite gone,
Beauty's effect with beauty were bereft,
Nor it, nor no remembrance what it was.
    But flowers distill'd, though they with winter meet,
    Leese but their show; their substance still lives sweet.


TRADUÇÃO (POR MIM):

Aquelas horas que emolduraram
O contemplar as belíssimas cores,
A escassez também vão abarcar,
E o vil por si bem digno de louvores:
O tempo a conduzir a primavera
Ao mal invernal, e assim submetê-la...
As folhas vão-se, a seiva congela,
A nudez total, o arfar da beleza;
Mesmo assim, não se foi o dom do verde,
A alma presa, cercada de vidro,
Do belo deixa ver ainda o peso,
Distante do que ora está perdido.
    O inverno nada é, com sua dor,
    Senão o doce preparo da flor.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Lorelai, de Heinrich Heine

LORELEI

Ich weiss nicht, was soll es bedeuten,
Dass ich so traurig bin;
Ein Märchen aus alten Zeiten,
Das kommt mir nicht aus dem Sinn.

Die Luft ist kühl und es dunkelt,
Und ruhig fliesst der Rhein;
Der Gipfel des Berges funkelt,
In Abendsonnenschein.

Die schönste Jungfrau sitzet
Dort oben wunderbar,
Ihr goldnes Geschmeide blitzet,
Sie kämmt ihr goldenes Haar.

Sie kämmt es mit goldenem Kamme,
Und singt ein Lied dabei;
Das hat eine wundersame,
Gewaltige melodei.

Den Schiffer im kleinen Schiffe
Ergreift es mit wildem Weh;
Er schaut nicht die Felsenriffe,
Er schaut nur hinauf in die Höh.

Ich glaube, die Wellen verschlingen
Am Ende Schiffer und Kahn;
Und das hat mit ihrem Singen
Die Lorelei getan.


TRADUÇÃO (POR MIM):

LORELAI

Não sei bem a que leva
Tamanha tristeza que me toma;
Uma estória, tão velha,
Ela própria se me conta.

Escurece, com fresca brisa,
E o Reno corre com vagar;
Atrás da montanha o sol ainda brilha,
Em noite solar.

Lá no alto, como deusa,
Belíssima moça está sentada,
E com mil feitiços ela penteia
Suas madeixas douradas.

Também é dourado o pente,
E ao pentear-se ela canta;
Quão maravilhosamente
O mundo a melodia ganha!

O pescador no barco pequenino
É tomado por dor lancinante;
Não vê a rocha assassina,
Devido ao canto que o faz amante.

Penso que as ondas, no fim,
Hão de devorar pescador e barco;
Nada faz isso ser assim,
Senão o canto de Lorelai.