Quando eu tinha 14 anos, me apaixonei por Gisele, uma menina mais velha, da oitava série (eu era da sétima). Estudávamos na Escola Municipal Nair Valadares, de Araruama, RJ. Ela era fã de New Kids On The Block, e o filme de que mais falava, provavelmente o que mais amava, era Ghost, com Patrick Swayze e Demi Moore. Eu queria conhecer tudo o que ela gostava, queria entrar na vida dela, mas... não conhecia New Kids, e nunca tinha visto Ghost... O primeiro item eu rapidamente sanei, mas o segundo... Só fui ver Ghost já aqui em São Paulo, quando era praticamente impossível trazer Gisele pra minha vida... De algum modo essa tragédia fixou uma importância além do que é corriqueiro à imagem de Swayze, no âmbito de minha ingênua juventude.
Esse é um ponto.
Logo que cheguei em São Paulo, em 1992 (eu tinha quinze anos), assisti a Caçadores de Emoção (não sei o título original...), com Swayze e Keanu Reeves, e o seu, por assim dizer, "espírito de aventura", me ganhou, numa época em que o meu senso crítico era muito frágil, e a vontade de viver com máxima intensidade era minha luz-guia. Sobretudo o personagem de Swayze, com sua exagerada energia vital, me dizia algo muito profundo acerca de mim mesmo, e também acerca do mundo no qual eu queria viver.
Esse o outro ponto.
Os dois pontos me são úteis ao tentar entender o que senti, agora há pouco, vendo a foto que a esposa do ator tirou dele, pouco antes de ele morrer. Sem cabelos nem sobrancelhas, dormindo no sofá, ao lado do gato, provavelmente ouvindo "o som da inevitabilidade", essa figura é, pra mim, o adeus de uma espécie de símbolo do que um dia eu quis ser, e também um símbolo de uma parte importantíssima de minha adolescência, sobretudo no que ela tem de indissoluvelmente ligado a Gisele. Na verdade, o velho chavão - "o tempo passa, implacavelmente" -, se mostrou, por meio dessa foto, com toda a sua força destrutiva a meus olhos, que começam a ver, tragicamente, a despedida dos heróis de juventude.
Estou ficando velho... Os heróis de meu passado estão dizendo adeus, e só posso, um tanto desiludidamente, fazer isto aqui que estou fazendo agora...
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
O FANTASMA DA ÓPERA, AGAIN...
Acabo de assistir à versão do Joel Schumacher e do Andrew L. Webber.
Devo admitir que o filme, apesar de certos defeitos (elos faltando, inverossimilhanças, etc.), me conquistou conforme eu o via... Quero dizer: comecei bem crítico, não gostando muito, mas aos poucos fui notando a beleza das músicas, e o apelo de algumas cenas, e no final... Bom, no final o conjunto me deixou uma boa impressão. Um bom filme. Mas... não tudo o que a ideia do "gárgula" apaixonado pode render. Uma ideia tão velha quanto a literatura, e eu nunca vi nada que fizesse jus a ela.
Então... Sim: vou me arriscar. Como já postei aqui, vou escrever a minha versão. Se minha tentativa vai estar à altura desse arquétipo, tão poderoso, não sei... Mas o que teria vindo a público se os autores se deixassem derrubar pela grandeza de seus modelos?
Lá pelo ano 2020 devo estar com ela pronta, rs...
Até lá, então!
Devo admitir que o filme, apesar de certos defeitos (elos faltando, inverossimilhanças, etc.), me conquistou conforme eu o via... Quero dizer: comecei bem crítico, não gostando muito, mas aos poucos fui notando a beleza das músicas, e o apelo de algumas cenas, e no final... Bom, no final o conjunto me deixou uma boa impressão. Um bom filme. Mas... não tudo o que a ideia do "gárgula" apaixonado pode render. Uma ideia tão velha quanto a literatura, e eu nunca vi nada que fizesse jus a ela.
Então... Sim: vou me arriscar. Como já postei aqui, vou escrever a minha versão. Se minha tentativa vai estar à altura desse arquétipo, tão poderoso, não sei... Mas o que teria vindo a público se os autores se deixassem derrubar pela grandeza de seus modelos?
Lá pelo ano 2020 devo estar com ela pronta, rs...
Até lá, então!
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
A MÁQUINA DO TEMPO
Acabo de terminar a leitura d'A máquina do tempo, e o livro, para meu espanto, não chega nem perto da sua última versão cinematográfica. O filme é bem, mas beemm melhor que o livro. Que coisa...
THOR
Falei aqui há uns meses sobre a infantilidade do cinema comercial contemporâneo. Devo ter comido algum molho de tomate estragado, cogumelos venenosos, sopa de macarrão vencido, sei lá o quê, porque estou num processo de mudança de concepção. Ok, o filme sobre o Wolverine continua infantilóide, a meu ver, mas de Thor eu gostei bastante (o que não me impede de reconhecer que o filme tem falhas, por exemplo a mudança muito rápida de comportamento por parte do herói, e alguns clichês...). Penso que os filmes de heróis, ou super-heróis, dependendo de como trabalhados, podem ser de boa qualidade, e na verdade é forçoso reconhecer que narrativas de grandes feitos heroicos, com exageros às vezes gritantes, constituem um gênero milenar, estão encravadas na medula humana.
Enfim, acho que vou ver Thor de novo...
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
TEMPOS DE PAZ
Taí um filme que poderia ter alcançado os píncaros da arte cinematográfica - a ideia é genial -, mas não o fez, e isso por duas razões: em primeiro lugar, certas forçadas de mão no enredo, como o médico que salva justo a irmã do torturador, e depois..., e em segundo lugar, uma certa puerilidade na direção de atores, e geral também, algo que dá a Tempos de paz um ar assim... pouco profissional (a despeito das atuações brilhantes de Tony Ramos e Dan Stulbach). Mas, tudo isso posto, digamos que o resultado não é ruim. Apenas, fica um gosto azedo a nos dizer que poderíamos ter tido o prazer de contemplar uma obra-prima, o que infelizmente...
sábado, 20 de agosto de 2011
MELANCHOLIA
Tem-se falado no último filme de Lars von Trier como uma metáfora da depressão. Eu não seria tão clínico. Para mim, trata-se de simbolizar uma tristeza que se deve muito mais ao fracasso da civilização do que a uma particularidade individual, um estado de alma, ou coisa que o valha. Penso que se vai mais fundo em Melancholia, que ali se questiona o modelo de felicidade "vendido" no Ocidente moderno. Certas pessoas não se encaixam, e elas são não exemplos de enfermidade, mas sim o sinal de que algo é falso nas fotos em que todos se abraçam e sorriem, ou nas reuniões em que convencionalmente se celebra uma conquista convencional, como a festa de casamento da primeira parte do filme...
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A SERBIAN FILM
Não me venham falar que o filme procura discutir, ou problematizar a já tão problemática violência. O que se quer, ali, é atrair público. Puro fetichismo.
Não vi, não gostei.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
WOODY ALLEN EM CARTAZ
O último Woody Allen, Meia-noite em Paris, é, como quase todo Woody Allen, um bom filme, mas... penso que ele se explica muito facilmente. Ao terminar de vê-lo, não resta nenhum mistério, nenhuma inquietação. E isso, a falta de inquietação, é sintoma, a meu ver, de arte desimportante. Entretanto, como eu disse, é um bom filme, sobretudo muito divertido. Há nele o culto à mulher, marca da maior parte da obra desse nova-iorquino genial, e há também uma insuspeitada fé no amor, na possibilidade do amor, verdadeiro e único, nossa redenção enquanto espécie fracassada neste planeta.
Em suma, recomendo a quem goste de cinema num nível além da mediocridade pipocão.
Abraço.
Em suma, recomendo a quem goste de cinema num nível além da mediocridade pipocão.
Abraço.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
ANTES DO AMANHECER, ANTES DO POR-DO-SOL
Belíssima dupla de filmes, um continuação do outro. Simplíssimos, em termos de enredo. Força total nos diálogos, especialmente no segundo (por-do-sol).
Me pareceu que o principal nos dois é a consciência da fugacidade de tudo o que envolve o amor; tudo, tudo está condenado a perecer, nesse campo, e os dois protagonistas, sabendo disso, tentam a todo custo evitar o fim, mesmo que isso implique... antecipá-lo. Sim, para evitar o perecimento, recusa-se a entrega. Na verdade, o embate da esperança versus recusa é o motor dos diálogos, em ambos os filmes, com a ressalva de que no primeiro o jogo da sedução e do medo é mais leve, o primeiro termo prevalecendo. No segundo filme, o medo dá as caras mais fortemente, mas... Enfim: assistam. Vale a pena.
É isso. Abraço.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Dr. Jivago
Enfim, consegui assistir a Dr. Jivago até o final (em três dias, é verdade...)! O filme que me provocava uma tristeza profunda quando eu era molecote - a cena, logo no começo, em que uma menina é abandonada numa passeata, era para mim especialmente difícil de suportar... - deixou-me, agora que tenho 33 anos, muita barba e uma calva, um tanto quanto descontente: é que não me pareceu um bom filme. Eu assisti à versão clássica mesmo, de 1965, com Omar Sharif etc., e o que vi foi, honestamente, algumas belas cenas (por exemplo, a da própria passeata, e do massacre que se seguiu) costuradas a muitos clichês (por exemplo, o idílio campestre que a família de Jivago encontra no início de sua estada em Varykno), e uma grande dose de melodrama. Creio, após alguma reflexão, que isso se deve ao contexto de produção: em 1965 o cinema ainda não havia atingido a maturidade que atingiu nos dias atuais, depois de obras-primas tais como Beleza americana, Mulholland drive, Magnólia etc. Eram, os anos sessenta, uma época de muita ingenuidade, e de choro fácil (obviamente, esta hipótese refere-se apenas ao cinema...). Talvez deva-se chamá-la a "Era do Kitsch". Não estamos mais nela, mas também temos nossos defeitos: a nossa poderia ser chamada, sem erro, de "Era da infantilidade", pois se, de um lado, temos as mencionadas obras-primas, de outro temos a todo ano lançamentos em quantidade gigantesca de pipocões infantilóides, direta ou indiretamente relacionados com os quadrinhos, entupidos de efeitos especiais, e sem muita preocupação com alguma Weltanschauung, e com a arte em grau elevado.
Lição a tirar: cada época tem suas cáries, seus cremes e fios dentais, e, infelizmente: os seus banguelas.
Lição a tirar: cada época tem suas cáries, seus cremes e fios dentais, e, infelizmente: os seus banguelas.
domingo, 26 de dezembro de 2010
O segredo de seus olhos
Taí um filme surpreendente. Quando a gente pensa que já viu de tudo em cinema, aparece uma produção e nos põe de boca aberta, a pensar... a pensar... Assim é o argentino O segredo de seus olhos. E é tão simples: um crime é cometido; descobre-se o culpado, ele é devidamente punido, mas... Em uma palavra: brutalidade. Essa que habita cada um de nós, é uma das palavras-chave de O segredo de seus olhos, e não falo da brutalidade do criminoso, mas sim da do... mocinho?... Não... aí é que está: o filme joga com as noções de "lado do bem" e "lado do mal", apresentando um mocinho para lá de suspeito (mas no entanto preservando personagens praticamente acima de qualquer suspeita, o que poderia ser um defeito, mas penso que não é assim). Como eu dizia: o culpado é punido, mas é só a partir daí que a originalidade de O segredo de seus olhos se impõe. A direção nos faz desconfiar de outros personagens, e ao instaurar um foco narrativo cambiante, instaura a dúvida, inexoravelmente. Não estou certo de que o filme se resolva...
Enfim: assista, se puder.
Outro ponto: de brinde há o senso de humor argentino, que é excelente. Há falas de matar de rir...
Outro ponto ainda: Ricardo Darín está soberbo. Merecia um oscar de melhor ator.
Enfim: assista, se puder.
Outro ponto: de brinde há o senso de humor argentino, que é excelente. Há falas de matar de rir...
Outro ponto ainda: Ricardo Darín está soberbo. Merecia um oscar de melhor ator.
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