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terça-feira, 27 de março de 2012

ALINE, QUEM?

A gente se safa de cada uma...
E não é que constato que uma dada senhora já não me causa qualquer abalo!
Completamente esquecida.
E há tantas, tantas moças bonitas por onde eu tenho andado...
De fato, posso até dizer que tenho uma preferida, mas é muito, muito cedo ainda...
Só posso dizer: um brinde ao devir, que engole tudo, até o que nos causava dor!
 

sábado, 24 de março de 2012

POEMA PARA A SOLIDÃO

as paredes brancas
nada dizem. estão mudas.
nas janelas amarelas,
as cortinas não sorriem.
nem sequer balançam:
não há vento.
a um canto, o sofá,
o cinzento, sarcástico sofá,
cochila indiferente.

entretanto a tv assiste, extasiada,
ao lançamento do foguete
que parte para marte.
- p-p-p-para a conquista de marte!

sábado, 17 de março de 2012

A FICHA

A gente faz tanta coisa com a certeza de que está certo, às vezes mesmo se acha impecável, e de repente... De repente, cai uma ficha, e a gente percebe que andou de nariz empinado um tempão. A soberba...
Se me caiu a ficha? Caiu. Preciso rever minha postura, meus conceitos...
No entanto, não é caso pra me colocar no rol dos "males a combater"...

quarta-feira, 14 de março de 2012

CANÇÃO METAFÍSICA

Agora é sempre ontem
Amanhã não chega nunca

Sempre que o suor me lava
Vem uma dúvida e enxuga

Não desejar absolutamente nada
E ainda assim amar a chuva

Final: me renovo no beijo dela
E planto na eternidade uma muda.

sábado, 10 de março de 2012

ÚLTIMA TENTATIVA

A última tentativa é sempre a primeira que se leva a cabo com uma perspectiva realista de seus prováveis resultados.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AS PEDRAS

Atravessar, no espaço de uma vida, os caminhos que surgem à nossa frente, e que compõem para nós o mundo, não é difícil: submeter-nos aos ciclos de nosso sonhar - nascimento, desenvolvimento / adesão, e morte / desilusão - é que torna essa travessia tortuosa e torturante.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O POEMA QUE EU MAIS GOSTO DO BANDEIRA

VELHA CHÁCARA

A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...

-- Mas o menino ainda existe.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O "POEMA-PREFÁCIO" DE MEU PRIMEIRO LIVRO (AINDA INÉDITO)


há, de tudo e sempre,
algo que resiste,
que pede surdamente
pelo retrato no papel,
e além do Tempo vive.

é a matéria anoitecida,
crua, sob a superfície,
alimento pra versos
inda verdes, tateantes,
em busca da luz do dia.

inútil querer evitá-los,
ou talvez dissolvê-los,
no divã dum analista.
antes, dar-lhes forma,
tal que neles possa,
livre do perecimento,
resguardar-se: a Vida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

NO CAMINHO DE SWANN

Eu já tinha começado três vezes esse livro, o primeiro da Recherche, e por motivos diversos não terminara. Sempre aparecia alguma coisa que me fazia largá-lo. Entre essas coisas, a ponderação que tem muito de engano: "eu não tenho os outros volumes, de que adianta ler o primeiro?". Ora, acabo de terminá-lo, e se, por um lado, já comprei os outros, todos, por outro vejo que a leitura só do primeiro tem muito de proveitosa. Há uma coerência interna. Há começo, meio, e fim (que a Modernidade já descobriu não serem absolutamente necessários...). Tendo dito isso, acrescento que dedicarei parte dos próximos meses à leitura de toda a Recherche (hoje mesmo já comecei À sombra das raparigas em flor). Só posso dizer: que delícia!