Estive vendo o vídeo da reunião, a título de protesto, de Marilena Chauí, Antonio Candido, e outros, em Junho de 2009 (e com tudo a ver com o que ocorreu este ano), contra a presença da PM na Cidade Universitária. Olha... quanta puerilidade!... Veja-se as palavras do crítico: "estou aqui para manifestar veementemente meu protesto contra a presença da PM no campus, o que contraria o direito que os cidadãos têm de discutir, debater e agir, sem qualquer pressão externa do poder público." Quer dizer que todo mundo pode "agir" sem pressão do poder público?... Ué... Isso não acabaria levando a uma anarquia hobbesiana?...
O por enquanto respeitável crítico (que não abuse...) precisa entender que o Estado de direito é caracterizado essencialmente pela preponderância da lei, frente aos desejos e deliberações de indivíduos ou grupos de indivíduos. Não é porque suas ações são votadas em assembleia, que elas podem ir contra as leis, que são o que de efetivamente democrático nós temos, e valem tanto para empresários, funcionários públicos, donas de casa, quanto para os alunos da USP. A polícia pode, e deve, estar presente em qualquer área pública onde o poder eleito julgue que ela é necessária. E além disso, a maioria dos alunos, que não consegue ir até o final das assembleias porque elas demoram muito (seja isso premeditado, ou resultado de pura chatice mesmo...), essa maioria é a favor da presença da PM na Cidade Universitária.
E aí? O que é, e o que não é, democrático, nessa história?...
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
ERA DOS EXTREMOS, de HOBSBAWM
Acabo de reler este livro, estudando para o vestibular. É mais que impressionante a capacidade de síntese desse historiador, suas sutilezas de interpretação de fatos emaranhados em novelos insolúveis. Um marxista, sim, mas um marxista clarividente, que não se vê obrigado a alardear glórias chinesas só porque o regime chinês é, basicamente, o que resta de "socialismo realmente existente" (Cuba e Coréia do Norte são pouco mais que tiradas de mau gosto)...
Como disse, acabo de reler. Li pela primeira vez o ano passado, e ao que me parece, essa será uma leitura anual...
Como disse, acabo de reler. Li pela primeira vez o ano passado, e ao que me parece, essa será uma leitura anual...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
WUTHERING HEIGHTS
Livrão, grande, enorme livro, LIVRAÇO!
Já tinha lido em português (O morro dos ventos uivantes), e achado razoável, mas no original gostei muito, acho mesmo que se trata de uma obra-prima. Não é romântico, e ao mesmo tempo é ultra-romântico; não é realista, e no entanto nada pode ser mais realista. Dificilmente pode ser chamado de clássico... certamente é moderno, mas de uma força representativa que alcança a equivalência clássica entre linguagem e natureza como talvez nenhum romance tenha conseguido antes...
Heathcliff é uma das maiores personagens de toda a história da literatura: o que ele sente por Catherine Earnshaw?... Amor incomensurável, ou extrema obsessão? (a questão é clichê, mas em Wuthering Heights ela é tão bem construída, ergue-se tão bela aos nossos olhos, que supera qualquer falta de originalidade. Ademais, creio que na época em que o livro surgiu não era ainda um clichê...).
As personagens, de modo geral, são muito bem construídas nesse livro, podendo Ellen Dean ser vista como a portadora da "moral" em seu âmbito. É quase um tipo, assim como Joseph. Mas posto isso, torna-se imperioso reconhecer toda a humanidade de Edgar e Isabella Linton, Hareton Earnshaw, assim como de seus pais. Uma estória triste e "crepuscular", com um final... Leia!
Já tinha lido em português (O morro dos ventos uivantes), e achado razoável, mas no original gostei muito, acho mesmo que se trata de uma obra-prima. Não é romântico, e ao mesmo tempo é ultra-romântico; não é realista, e no entanto nada pode ser mais realista. Dificilmente pode ser chamado de clássico... certamente é moderno, mas de uma força representativa que alcança a equivalência clássica entre linguagem e natureza como talvez nenhum romance tenha conseguido antes...
Heathcliff é uma das maiores personagens de toda a história da literatura: o que ele sente por Catherine Earnshaw?... Amor incomensurável, ou extrema obsessão? (a questão é clichê, mas em Wuthering Heights ela é tão bem construída, ergue-se tão bela aos nossos olhos, que supera qualquer falta de originalidade. Ademais, creio que na época em que o livro surgiu não era ainda um clichê...).
As personagens, de modo geral, são muito bem construídas nesse livro, podendo Ellen Dean ser vista como a portadora da "moral" em seu âmbito. É quase um tipo, assim como Joseph. Mas posto isso, torna-se imperioso reconhecer toda a humanidade de Edgar e Isabella Linton, Hareton Earnshaw, assim como de seus pais. Uma estória triste e "crepuscular", com um final... Leia!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O enigma de Capitu
Pois é... O mundo gira... e...
Lá pelos idos de 1998, eu cursava o primeiro ano de Letras na USP, e a professora de Introdução aos Estudos Literários, Iná Camargo Costa, me incutia a certeza de que Capitu não traiu Bentinho, este último é que era um problemático de carteirinha. Vários argumentos: o livro inteiro é uma obra de acusação, ele não deu a ela o benefício da dúvida, muito menos direito de defesa, etc...
Mas a vida seguiu, eu desisti da Letras naquela época, depois voltei em 2004, para me formar em 2010, e para voltar, de novo, se tudo der certo, em 2012 (estou prestando o vestibular novamente, e para Letras, novamente...), agora para estudar Espanhol. Ocorre que Dom Casmurro está na lista da FUVEST, e eu acabo de terminar a releitura desse gigantesco romance, e... Não é que eu me encontro inclinado a concordar com o Bentinho?... Acho que a Capitu pode, sim, ter traído o marido...
Mas a melhor solução para o caso foi dada pelo prof. Valter Kehdi, que em 1999 definiu Dom Casmurro como o "romance da dúvida", sendo a discussão sobre traição ou não traição algo como discutir o sexo dos anjos...
Lá pelos idos de 1998, eu cursava o primeiro ano de Letras na USP, e a professora de Introdução aos Estudos Literários, Iná Camargo Costa, me incutia a certeza de que Capitu não traiu Bentinho, este último é que era um problemático de carteirinha. Vários argumentos: o livro inteiro é uma obra de acusação, ele não deu a ela o benefício da dúvida, muito menos direito de defesa, etc...
Mas a vida seguiu, eu desisti da Letras naquela época, depois voltei em 2004, para me formar em 2010, e para voltar, de novo, se tudo der certo, em 2012 (estou prestando o vestibular novamente, e para Letras, novamente...), agora para estudar Espanhol. Ocorre que Dom Casmurro está na lista da FUVEST, e eu acabo de terminar a releitura desse gigantesco romance, e... Não é que eu me encontro inclinado a concordar com o Bentinho?... Acho que a Capitu pode, sim, ter traído o marido...
Mas a melhor solução para o caso foi dada pelo prof. Valter Kehdi, que em 1999 definiu Dom Casmurro como o "romance da dúvida", sendo a discussão sobre traição ou não traição algo como discutir o sexo dos anjos...
domingo, 16 de outubro de 2011
MÚSICA E GOSTO II
Olha, eu achava que cantaria "Que pena", do Raça Negra, com prazer, mais ou menos baseado num trecho dela que fazia parte de um anúncio de TV. Mas... fui ouvir inteira no Youtube, e não gostei não...
Pois é. Algumas coisas ainda não mudaram, rs... ;-)
Pois é. Algumas coisas ainda não mudaram, rs... ;-)
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
MÚSICA E GOSTO
Será o "eu gosto" um derivado da passividade? Como se forma o nosso gosto musical?
Creio que é mais fácil começar respondendo à segunda pergunta: no meu caso, se formou em casa, ouvindo o que meus pais ouviam, e o que passava na TV. Claro que eu filtrava; só gostava mesmo do que se encaixava em algo muito sutil, muito subterrâneo, algo próprio da minha maneira de ser. Assim é que eu, aos seis anos, gostava de RPM, Menudo, Roberto Carlos, Verônica Sabino, Gonzaguinha, Trem da alegria, Balão Mágico, Fábio Jr., etc... Não creio que imitasse colegas de escola, vizinhos, ou os adultos a minha volta. Eles certamente me influenciavam, mas a palavra final era dada nos confins de minha psique.
Quando começou a adolescência, sob o impacto do Rock in Rio II, me apaixonei pelo rock, e ao mesmo tempo cantava Leandro e Leonardo quando saía pra comprar pão. Um pouco mais tarde descobri que uma tribo excluía a outra, e então me filiei aos roqueiros, e passei a condenar sertanejos, pagodeiros, funkeiros, etc. Esse foi o início de uma fase que durou bem uns quinze anos, fase na qual meu gosto se cercou de tabus: era possível gostar de rock e música erudita, porque tais estilos eram dignos de respeito, mas gostar de estilos mais comerciais, como o pop ou o sertanejo, era simplesmente proibido, e eu seguia essa linha fielmente. Não acho que me obrigasse: eu realmente só gostava daquilo que respeitava.
Algo, no entanto, mudou. Hoje optei por uma sinceridade radical, e ela me levou de volta à infância, quando quem comandava eram os "monstros do id". Hoje respeito e gosto de tudo o que agrada à minha subconsciência, o que equivale a dizer que não sei o que me faz gostar ou não dessa ou daquela canção. Apenas gosto. E assim sou levado a reconhecer que aquela música que eu achava ridícula quando era adolescente (por exemplo, "Que pena", do Raça Negra), hoje canto com prazer.
Quanto à primeira pergunta, me parece que não, desde que você separe juízo crítico de um simples agradar-se; e é sempre possível pesquisar, guiando-se por puro senso estético, isto é, indo contra qualquer passividade...
Quanto à primeira pergunta, me parece que não, desde que você separe juízo crítico de um simples agradar-se; e é sempre possível pesquisar, guiando-se por puro senso estético, isto é, indo contra qualquer passividade...
Enfim... O mundo gira, e a gente muda.
Devo mesmo ter tomado sopa de macarrão vencido, mas eles não me fizeram mal...
domingo, 9 de outubro de 2011
UMA CITAÇÃO NA MEDIDA PARA MIM!
De Byron, To Thomas Moore:
Here's a sigh to those who love me,
And a smile to those who hate;
And, whatever sky's above me,
Here's a heart for every fate.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
PAULA FERNANDES
Nunca gostei de sertanejo. Na verdade, pouca coisa mudou, mas... Não é que eu gostei da Paula Fernandes?... Gosto de "Pra você" e de "Pássaro de fogo". Acho que o que ela faz não é exatamente sertanejo. Se for, então eu realmente comi macarrão vencido...
Um beijo, Paula.
Um beijo, Paula.
A MÁQUINA DO TEMPO
Acabo de terminar a leitura d'A máquina do tempo, e o livro, para meu espanto, não chega nem perto da sua última versão cinematográfica. O filme é bem, mas beemm melhor que o livro. Que coisa...
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