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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Um amor, de Dino Buzzati

Um romance sobre o amor, tão perspicaz, tão profundo, tão lírico e ao mesmo tempo tão realista.
Sem estereótipos, sem idealizações, cético e... romântico.
O melhor livro que li, esse ano.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

AFORISMOS.

O imprescindível está sempre um degrau abaixo daquele que ocupamos.

Só o tempo sabe de fato se algo é ou não é indesculpável.

Viver sem mulher é como nadar e nadar sabendo que não se chegará a lugar algum.

A comodidade é inimiga da diligência.

Estupidez de verdade é seguir num caminho que já se provou equivocado.

domingo, 29 de julho de 2012

LUIZ ALBERTO MENDES

As Memórias de um sobrevivente são, para minha surpresa, um livro extraordinário. Ao final, e a despeito de um ou outro defeito, me vi tocado pela profunda verdade humana que o protagonista vivencia, verdade que começa no ódio, e acaba na descoberta da amizade sincera, e da força humanizadora da palavra escrita. Saio dele mais rico, mais compreensivo, mais escolado do que quando o comecei.
Recomendo.

sábado, 7 de julho de 2012

SINUCA EMBAIXO D'ÁGUA

Romance de estreia de Carol Bensimon, surpreende pela maturidade (27 anos ela tinha quando da publicação!) no tratamento de um tema delicado. Excelente leitura, surgida na tão mal-falada literatura brasileira contemporânea. Tendo a achar que o problema está nos críticos...

terça-feira, 3 de julho de 2012

NOVO BLOG

Pessoal, tenho um blog novo, com uma proposta diferente dessa aqui. É um blog de crônicas sobre literatura e vida de escritor/leitor. São textos mais longos do que os que eu ponho aqui no "filósofo", mais trabalhados e abrangentes, eu diria mais formais. Deem uma olhada, quando puderem: georgicasdoocio.blogspot.com.br
Abraço.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

POEMA ANTIGO


às vezes, quando venta de leve lá fora,
e o céu está limpo, pontilhado de estrelas,
ou cai uma chuvinha fina, que só molha
pontinhos no chão, e em tudo vê-se que reina

uma tranquilidade tão sutil, tão doce,
eu gosto de sair e sentar à varanda,
deixando o vento afagar-me suave o rosto,
e colhendo num brilho de estrela a lembrança

de tempos remotos de infância, quando a vida
era correr atrás de uma bola, pensando
só no que, de imediato e livre, o dia
oferecia aos olhos, presos no encanto

do não se preocupar, do pouco querer.
sinto pelos que não podem, como eu faço,
renovar as forças num amistoso abraço
no mundo-vida, e levantar... e viver.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA

Livro para ser, sobretudo, "matutado". Acabei de ler, e não sei bem o que dizer, mas como se não disser nada essas minhas fracas primeiras impressões se perderão, e com novas e novas leituras (de outros livros) acabarão por restar apenas restos de simplicidades, imagens fragmentárias do que li, então - então aqui vai o que calou em mim:

A condução do enredo, com uma reviravolta no final, amalgama a "grande literatura" (por falta de melhor termo) com a literatura de mercado, nada demais, algo que Dostoievski fez em Crime e Castigo (muito ostensivamente), e em Os irmãos Karamázov (mais brilhantemente).    

A fraqueza inerente ao humano é, me parece, o motivo mestre do livro, sem perda do caráter contraditório de qualquer um de nós. São personagens fracas justamente porque fortes, e fortes porque fracas. Duas faces indissociáveis de seres ficcionais tão intensamente vivos como estes.

Não fossem alguns deslizes de linguagem, notados esparsamente, seria o caso de chamar a Crônica de Lúcio Cardoso de obra-prima.

Quase a chamo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

IMPROVISO INTERNÉTICO


Ademais, nada demais:

Tudo fora, tudo volta,
E me afronta, e me transtorna;
Tudo vence, tudo treme,
E me pressente, e me distende.

Sou azul como o céu,
Sou turvo como a nuvem.

E o raio é meu embaixador,
Junto à superfície bravia.


sábado, 26 de maio de 2012

UMA DESCOBERTA

De Paulo Honório para Madalena:

O POEMA DE CECÍLIA MEIRELES:

ELEGIA A UMA PEQUENA BORBOLETA

Como chegavas do casulo,
- inacabada seda viva! -,
tuas antenas, fios soltos
da trama de que eras tecida,
e teus olhos, dois grãos da noite
de onde o teu mistério surgia,

como caíste sobre o mundo
inábil, na manhã tão clara,
sem mãe, sem guia, sem conselho,
e rolavas por uma escada
como papel, penugem, poeria,
com mais sonho e silêncio que asas,

minha mão tosca te agarrou
com uma dura, inocente culpa,
e é cinza de lua teu corpo,
meus medos, sua sepultura.
Já desfeita e ainda palpitante,
expiras sem noção nenhuma.

Ó bordado do véu do dia,
transparente anêmona aérea!
não leves meu rosto contigo:
leva o pranto que te celebra,
no olho precário em que te acabas,
meu remorso ajoelhado leva!

Choro a tua forma violada,
miraculosa, alva, divina,
criatura de pólen, de aragem,
diáfana pétala da vida!
Choro ter pesado em teu corpo,
que no estame não pesaria.

Choro esta humana insuficiência:
- a confusão dos nossos olhos,
- o selvagem peso do gesto,
- cegueira - ignorância - remotos
instintos súbitos - violências
que o sonho e a graça prostram mortos.

Pudesse a etéreos paraísos
ascender teu leve fantasma,
e meu coração penitente
ser a rosa desabrochada
para servir-te mel e aroma,
por toda a eternidade escrava!

E as lágrimas que por ti choro
fossem o orvalho desses campos,
- os espelhos que refletissem
- voo e silêncio - os teus encantos,
com a ternura humilde e o remorso
dos meus desacertos humanos!