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quinta-feira, 14 de abril de 2011

ADÁGIO-REFLEXÃO II

se eu pudesse deixar para trás tudo o que me enoja,
e me impede de viver o ar tão benfazejo dos romances em que se ama de verdade,
ah... como eu correria a te abraçar!... e beijar, e beijar... e beijar.

mas a verdade é que nada vai bem,
que os monstros das esquinas enfumaçadas
me espreitam, e me cortam a pele e a carne...

amanhã, talvez me venham a vontade de sorrir e a leveza de alma necessária para realizá-la...

mas enquanto isso...

?

domingo, 10 de abril de 2011

POEMA DESENCANTADO, RUIM MESMO

não há como esconder: eu amo.

não há como...

só há como dizer: eu amo.

só há como...

é como sempre foi: eu amo,
e me atormenta a necessidade de agir no sentido desse amor, de sua concretização;
se há motivos para ser triste,
também os há para ter esperança;
enfim, não há como fugir: eu amo,
e só me resta amar, só me resta...

só me resta um lugar-comum: a luta.

Do sofrimento

Às vezes me pergunto se o sofrimento por que passo é simplesmente algo da vida, dessa vida de todos nós, e se há alguém que não sofre, e se esse alguém é uma pessoa boa, porque penso, sinceramente, que quem não sofre não pode ser bom... Mas há o outro lado: quem sofre demais tem grandes chances de tornar-se mau... Para tornar-se um adulto completo, penso que há uma quota de sofrimento que se deve cumprir, mas como encontrar a dose certa?... E nós, que cuidamos de crianças: é nosso dever fazê-las sofrer, ou devemos deixar isso para a vida empreender de modo natural e caótico?... Não sei...

Tudo isso motivado por uma dorzinha que estou sentindo... Acho que ela sabe do que estou falando...

sábado, 9 de abril de 2011

ADÁGIO-REFLEXÃO

as lembranças vêm, umas seguidas das outras,
como partículas de fumaça, a subir e se misturar com as nuvens...

e as lágrimas, como pequeninas fontes,
desentravam as tristezas lá de dentro,
caindo lenta, lentamente, e banhando o chão...

com uma coisa intima, indissoluvelmente ligada à outra,
sigo martelando bandeirianamente meu cântico de uma só certeza:
ser a eterna busca de quem me alimente e complete.

domingo, 3 de abril de 2011

ÚNICO

Havia tempos não me sentia tão feliz, e o curioso é que percebo que a felicidade, e a ânsia por felicidade, são sentimentos muitíssimo parecidos... Ora, só em um deles você tem o que deseja, então pergunto: que ânsia é essa que se sente, quando já se tem o que se quer?... Talvez... talvez seja uma vontade incontrolável de perpetuar o prazer, pois penso que todo prazer vem acompanhado dessa vontade, desse desejo... Enfim: o fato é que se estou bem, por outro lado ainda não tenho exatamente o que quero... Mas... a vida promete, ah... e promete tanto... Como promete...

OCI ZELENE ZA MLADE

a cada passo, uma alegria, e também uma tristeza...

mas avançamos, e o dia que se anuncia
trará milhões e milhões de explosões,
e o fogo das estrelas que surgirão do nada,
aquele mesmo nada que as mantinha ocultas,
aprisionadas em nuvens de desesperança...

busco esse dia como um faminto felino
busca a presa escondida...

e a verdade é que encontro um pouco dele
em cada olhar teu, quando me crava sua luz,
e isso... ah, isso tem sido meu alento,
e meu mais desejado alimento.

domingo, 27 de março de 2011

PARA UMA PEQUENA MOÇA QUE ACABA DE NASCER NA MINHA VIDA

os dias têm passado tão rápido... por que será?...

é impossível te ver sem imaginar o gosto dos teus lábios,
sem imaginar o cheiro de teu seio,
e a maciez de tua pele...

o verde-bola-de-gude de teus olhos me lembram
meus sofrimentos de primeira juventude,
e, quem sabe, me falam de vendavais que se anunciam...
(serão imaginação?...)

renatorussoanamente, tenho andado distraído... por que será?...

talvez eu saiba:
é que acaba de nascer: ...
(esses versos devem rimar...)

quinta-feira, 24 de março de 2011

AUTO-AJUDA

ah, se não houvesse pedras e esgoto no caminho...

mas meu coração é grande, tão grande,
que sem mais nem menos decide ir adiante,
ignorando tudo que não lhe serve de alimento...

e é assim que me faço o inexorável segredo:
amar com tudo o que sou e tenho,
sem jamais deixar de lado a mania de ser vasto e velho...

sábado, 19 de março de 2011

POEMA PARA A FLOR QUE NASCEU

uma flor nasceu sobre o muro da indiferença;
uma flor vermelha: seria uma rosa?... não...
essa flor é bem mais que uma rosa: é, na verdade,
a própria essência do objeto flor, e da cor vermelha;
é a única flor que faz jorrar o querer,
e dela, uma vez tendo a tocado, tornamo-nos um eterno rememorar...

assim, te prometo, flor em minha vida:
dia após dia, delírio após delírio, espinho após espinho,
serei para ti uma ponte, a ligar a fragilidade das coisas da vida
à plenitude de um amor disposto a navegar as piores tempestades,
tudo para que respires melhor,
para que sorrias terna, ou sofregamente, quando lembrar de mim,
e assim, presos como numa teia,
sejamos como o caule e a seiva:
um do outro, suporte e alimento.