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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
O IMPROVISO FÁUSTICO
Me deitei ao lado dela,
Me deitei ao lado dela!
O sopro era ardente, era veemente,
E o aroma de rosa vermelha, de fêmea,
Me ensinava a desaprender,
A desaprender... para amar...
Me deitei ao lado dela,
E amei-o, o lado, com todos os meus...
Com tudo o que pude...
Me deitei,
E ao lado dela, encontrei a genuína prece:
A que agradece,
Ocupada em silenciar-se.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
PARA "FERNANDA"
Chamo-a de Fernanda, mas não sei o nome verdadeiro.
Sei que ela tem a beleza do pinheiro, quando em época de Natal.
Sei que ela é simples como uma ideia cristã.
E sei bem que meu espírito já se prepara para a viagem, rumo à Estação Finlândia:
É que quando me lembro dela, bate-me uma vontade, tão terna, de chamá-la... Nanda.
Sei que ela tem a beleza do pinheiro, quando em época de Natal.
Sei que ela é simples como uma ideia cristã.
E sei bem que meu espírito já se prepara para a viagem, rumo à Estação Finlândia:
É que quando me lembro dela, bate-me uma vontade, tão terna, de chamá-la... Nanda.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
O POEMA MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA: TEMPOS RUINS PARA A POESIA
Tempos ruins para a poesia
Sim, eu sei: apenas o sujeito feliz
É benquisto. Sua voz
É ouvida com prazer. Seu rosto é bonito.
A árvore recurvada no quintal
É sinal da terra empobrecida, mas
Os passantes tacham-na de raquítica
E têm toda a razão.
Os barcos verdes e as alegres velas no canal
Eu não enxergo. De tudo
Vejo apenas a estropiada rede dos pescadores.
Por que fico o tempo todo a dizer
Que uma aldeã quarentona anda encurvada?
O peito das moças
Continua cálido como sempre.
Em minha canção uma rima
Se me afigura quase um gesto arrogante.
Dentro de mim digladiam
O encanto provocado pela macieira em flor
E o horror suscitado pelos discursos do pintor de paredes.
Mas apenas o segundo
Me impele à escrivaninha.
Bertolt Brecht.
Sim, eu sei: apenas o sujeito feliz
É benquisto. Sua voz
É ouvida com prazer. Seu rosto é bonito.
A árvore recurvada no quintal
É sinal da terra empobrecida, mas
Os passantes tacham-na de raquítica
E têm toda a razão.
Os barcos verdes e as alegres velas no canal
Eu não enxergo. De tudo
Vejo apenas a estropiada rede dos pescadores.
Por que fico o tempo todo a dizer
Que uma aldeã quarentona anda encurvada?
O peito das moças
Continua cálido como sempre.
Em minha canção uma rima
Se me afigura quase um gesto arrogante.
Dentro de mim digladiam
O encanto provocado pela macieira em flor
E o horror suscitado pelos discursos do pintor de paredes.
Mas apenas o segundo
Me impele à escrivaninha.
Bertolt Brecht.
domingo, 9 de dezembro de 2012
UM PARAGRAFOZINHO...
Descobrir-se importante, verdadeiramente importante, para alguém que não é seu parente, isto é, para alguém que não lhe foi imposto pela Natureza, e que você próprio, por sua vez, considera importante - tal descoberta é um atestado universalmente válido de vivente. Não hesite em levá-lo para todo lugar onde for.
Agora... se ao invés de "importante", o caso é de usar a palavra "amado(a)", então... o atestado, amigo(a), é o contrário: defunto(a). Atualmente locado(a) no Paraíso.
Agora... se ao invés de "importante", o caso é de usar a palavra "amado(a)", então... o atestado, amigo(a), é o contrário: defunto(a). Atualmente locado(a) no Paraíso.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
A VERY LITTLE POEM
None of my dreams is steel
None of my smiles is rubber
How can I possibly be ready to feel
If all the mysteries are over?
None of my smiles is rubber
How can I possibly be ready to feel
If all the mysteries are over?
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
UMA PEQUENA CONFISSÃO
Ultimamente a felicidade tem se manifestado sob formas tão simples e despojadas...
É, certamente, um começo.
É, certamente, um começo.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
A LEI DO ESFORÇO MÁXIMO
Não tenho lido quase nada, nas últimas semanas... Mas como tenho aproveitado o que leio!
É preciso, amigos, ler pouco!
É preciso, amigos, ler pouco!
domingo, 2 de dezembro de 2012
A NOVIDADE VEIO DAR À PRAIA...
Pra que servem os dias tristes?
Não sei...
Me parece próprio deles não terem serventia alguma...
Mas no meu caso há algo que fica sempre patente: ela existe, e eu tenho que esperar.
Não sei...
Me parece próprio deles não terem serventia alguma...
Mas no meu caso há algo que fica sempre patente: ela existe, e eu tenho que esperar.
sábado, 1 de dezembro de 2012
O QUE PEDRO ÁLVARES NÃO VIU
Acabo de descobrir, de, digamos, deixar meu olho ver, que o ser humano é bom por natureza. As desgraças são mais produto da coletividade, de seus padrões e vigilantes do peso, que de alguma vilania inerente à humanidade. Só que não consigo ter um rosto humano olhando-me no espelho, e sei que estou bem longe de mau. Ora, vejam: estou em xeque.
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