Estou escrevendo uma espécie de "receituário para sobreviver no mundo-cão." São máximas e conselhos, amorais. Pautados pela eficiência. Pronto. Confessado.
Li, hoje mesmo, no blog da Cia. das Letras, a frase escrita por Leandro Sarmatz, acerca de Italo Calvino: "inteligência sutil e penetrante jamais se colocaria a serviço dessa tarefa [ a de escrever um receituário ]".
Ora, fiquei me perguntando acerca da "tarefa": receituário para fazer literatura, ou qualquer tipo de receituário? Se for o primeiro caso, apoio. Se for o segundo...
Parece óbvio, não é?
E ademais: vá ler Sêneca, ou Cícero, para ver que o "receituário" tem estrada, e não é sem qualidade...
Pesquisar
sexta-feira, 12 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
PODE SER, PODE NÃO SER...
A esmagadora maioria das situações que a gente experimenta na vida tem esse caráter: elas podem decorrer de A, ou de B, ou de...; elas podem significar C, ou D, ou...; elas podem, enfim, ter como solução E, ou F, ou...
A gente fica na dúvida, e tem de trabalhar com hipóteses, o tempo todo, e isso me angustia de tal maneira, que vou acumulando tiques nervosos, que tento disfarçar, mas nem sempre consigo...
Ó Pai: mandai algo unívoco!
A gente fica na dúvida, e tem de trabalhar com hipóteses, o tempo todo, e isso me angustia de tal maneira, que vou acumulando tiques nervosos, que tento disfarçar, mas nem sempre consigo...
Ó Pai: mandai algo unívoco!
quinta-feira, 4 de julho de 2013
REALIDADE TOTALIZADORA
Li, há uns dois ou três dias, a expressão "realidade totalizadora" num texto de crítica, e fiquei a pensar. Não é a primeira vez que me deparo com ela, mas agora, somente agora, depois de anos de leituras e ruminações, ela se me afigura em toda a sua estranheza: como pode haver isso, "realidade totalizadora"? Uma moldura, onde tudo se encaixe, na nossa apreensão das coisas? Uma coerência abarcando tudo o que existe para nós, uma organicidade? Quer me parecer que as duas coisas são impossíveis...
Depois de matutar um pouco, chego à constatação de que enxergamos aspectualmente, de que entendemos aspectualmente, de que amamos aspectualmente, etc...
Nossa consciência é fragmentária. Não há moldura, nem fio de Ariadne.
Depois de matutar um pouco, chego à constatação de que enxergamos aspectualmente, de que entendemos aspectualmente, de que amamos aspectualmente, etc...
Nossa consciência é fragmentária. Não há moldura, nem fio de Ariadne.
sábado, 29 de junho de 2013
FUNÇÃO
Certos personagens, sobretudo nos contos breves e nas novelas, não requerem uma personalidade, mas sim apenas traços funcionais. Não é exatamente o velho conceito de "personagem plana", pois esta última pode ter elementos não funcionais, elementos estritamente composicionais, isto é, traços de personalidade independentes do enredo. Os traços funcionais a que me refiro são desenvolvimentos do enredo, estão acoplados nele totalmente. Em suma: a personagem é uma função.
Não saberia apontar exemplos na literatura universal, mas na minha própria esse tipo de personagem tem aparecido constantemente. Será que o inventei?
Claro que não.
Não saberia apontar exemplos na literatura universal, mas na minha própria esse tipo de personagem tem aparecido constantemente. Será que o inventei?
Claro que não.
domingo, 23 de junho de 2013
QUANDO EXPLICAMOS...
Quase sempre, há mais de uma explicação para a atitude de alguém. O que ocorre é que se esse alguém é amigo, escolhemos, dentre as disponíveis, a melhor explicação, e se ele é inimigo, escolhemos a pior.
A explicação objetivamente adequada só é viável partindo de quem não tem nenhuma relação afetiva com o(a) analisado(a) (lembrando que inimizade é um tipo de relação afetiva...).
A explicação objetivamente adequada só é viável partindo de quem não tem nenhuma relação afetiva com o(a) analisado(a) (lembrando que inimizade é um tipo de relação afetiva...).
sexta-feira, 21 de junho de 2013
A QUE MATOU O GATO...
A curiosidade é um componente do afeto, seja ele direcionado ao que for.
Um marido sem curiosidade por sua esposa, ou vice-versa, é um sinal claríssimo de que a coisa está indo para o brejo.
Um homem sem curiosidade por seu entorno, ao menos por seu entorno, está perto de dizer adeus ao mundo. Pode ser que não saiba, mas está.
É preciso ser curioso, mas de modo saudável. Não são necessárias maiores explicações.
Ame o mundo.
Um marido sem curiosidade por sua esposa, ou vice-versa, é um sinal claríssimo de que a coisa está indo para o brejo.
Um homem sem curiosidade por seu entorno, ao menos por seu entorno, está perto de dizer adeus ao mundo. Pode ser que não saiba, mas está.
É preciso ser curioso, mas de modo saudável. Não são necessárias maiores explicações.
Ame o mundo.
domingo, 16 de junho de 2013
SAUDÁVEL LIMITAÇÃO...
Revisando meu romance. Descobri que preciso cuidar bem dele, porque vai ser filho único. De prosa, daqui por diante, só contos.
domingo, 9 de junho de 2013
STEREO FRANZ
Uma peça, ou, mais geralmente, uma obra de arte, para ser de fato significativa deve: a) tocar num ponto importante da vida humana; b) não se resolver por inteiro num esquema; e c) os elementos que a impedem de se resolver por inteiro devem passar ao espectador/leitor a sensação de que estão ali porque têm de estar, isto é, a obra deve ter organicidade.
Stereo Franz, peça de teatro de 2012, e que, ao que tudo indica, vai abrir temporada brevemente em São Paulo, cumpre com esses três critérios belissimamente. Acabo de assistir a ela ("ensaio" aberto, para alguns convidados, e eu de penetra), e estou de queixo caído. Só posso dizer: do caralho.
Assista, quem puder.
Stereo Franz, peça de teatro de 2012, e que, ao que tudo indica, vai abrir temporada brevemente em São Paulo, cumpre com esses três critérios belissimamente. Acabo de assistir a ela ("ensaio" aberto, para alguns convidados, e eu de penetra), e estou de queixo caído. Só posso dizer: do caralho.
Assista, quem puder.
domingo, 2 de junho de 2013
POEMAS, DE BERTOLT BRECHT
Acabo de ler a coletânea dos poemas de Brecht, da editora 34.
Estou, simplesmente, maravilhado. Quanto despojamento, e ainda assim eficácia poética!
Brecht queria falar para a gente simples. Seus poemas são limpos, claríssimos. E acompanham a sua história (o que, a meu ver, é grande mérito).
Leia, quem puder. O livro se chama Poemas 1913-1956.
Estou, simplesmente, maravilhado. Quanto despojamento, e ainda assim eficácia poética!
Brecht queria falar para a gente simples. Seus poemas são limpos, claríssimos. E acompanham a sua história (o que, a meu ver, é grande mérito).
Leia, quem puder. O livro se chama Poemas 1913-1956.
Assinar:
Comentários (Atom)