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sábado, 14 de março de 2015

PARAFRASEANDO MILTON


CARTA A UMA JOVEM ATRIZ

Se eu deixasse meu trabalho,
Meus estudos, meus projetos,
Tudo, tudo, para trás,
Acreditarias mais em mim?
Pois é assim que me sinto,
Hoje, neste sábado uma vez mais solitário...
Sinto como que uma enorme mão
A me apertar, a me espremer
O corpo inteiro, o corpo inteiro...
E como sei que tu também sentes a vida,
Sim, tu sentes o peso dela,
O desmedido peso dela,
Dela que nem sempre dá,
E muito e amiúde cobra pelo que não deu...
Que tal corrermos, então?
Simplesmente corrermos, de mãos dadas,
Sob a chuva ou sob o severíssimo sol,
Preocupados em nada mais que não desencontrar
O passo, o ritmo um do outro?
Posso ver-te, agora,
Lá fora, sorrindo ao meu lado...
Eu correria até o fim, amor:
Até o fim.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

OS DOIS TEMPOS

Descobri recentemente que existem dois tempos. Falo de física mesmo. Há o tempo absoluto, a que tudo, sem exceção, está referido; e há o tempo relativo, que varia conforme a velocidade de resposta dos indivíduos em cada espécie.
Ora, as formigas se movimentam muito velozmente; suas repostas, dito de outra maneira, são muito mais rápidas que as nossas. Logo, elas sentem o tempo de outra maneira, podendo fazer muito mais coisas no mesmo intervalo em que não fazemos quase nada. Logo, seu tempo relativo é outro.
Mas não é possível negar que esse tempo relativo depende da existência de uma dimensão geral, que lhe sirva de referência, caso contrário não poderíamos fazer nenhuma comparação, não poderíamos dizer que tal espécie tem uma velocidade de resposta maior que outra. Essa dimensão é o tempo absoluto. 
Para pensar.

sábado, 18 de outubro de 2014

PEQUENA FILOSOFICE

Na verdade, tudo o que temos de certo, isto é, tudo o que a rotina de "fluxo presencial" contínuo nos faz esquecer da possibilidade de faltar, tudo isso é tão, mas tão adaptável, somos de uma enorme e poderosa flexibilidade, que acabo de me lembrar do "caniço" de Pascal.
Isso posto, o caniço, sem água, não cresce.  

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Mas que descoberta...

Ter convicções é um privilégio do qual a maioria das gentes não se importa de abrir mão.

sexta-feira, 14 de março de 2014

UM CRITÉRIO

Um critério para determinar o caráter moral de uma ação é saber se ela se deu num quadro de domínio de si, por parte do agente. Se sim, ela pode ser uma ação moral. Se não, ela certamente não é.
Ora, se a ação se deu num quadro de descontrole, é óbvio que ela não é uma ação moral, já que moralidade pressupõe escolha, e escolha pressupõe racionalidade.

sábado, 8 de março de 2014

NECESSÁRIO

O ser humano é de tal maneira, que se não tem nenhum fardo para carregar a vida perde o sentido. Ele cai em depressão, ou entra para o mundo das drogas, ou se afunda em relações sadomasoquistas, etc.
Por fardo entenda-se uma quota de obrigações e outra de sofrimento.

quarta-feira, 5 de março de 2014

DO BARRO

Estou vivo, e isso não é coerente. Isso não se sustenta. Deus criou a mim e ao mundo que eu experimento? Mas de onde vem Deus? Esteve sempre aí? Isso tem lógica?
Eu nasci, é fato (ao menos para mim), e as coisas do mundo, e o mundo das coisas, estão aí. Mas nada disso tem começo (embora algumas coisas pareçam ter fim), em termos absolutos. Entretanto, a ideia de eternidade é insustentável. Como resolver o problema?
Creio que o remédio (não a solução) é um movimento que devemos fazer: baixar a cabeça, olhar o chão, e pisar humildemente. Ater-se às coisas do dia a dia. Resolver os problemas concretos. Buscar o equilíbrio (esse chavão da auto-ajuda). Aceitar o mistério, e conviver com ele. Sobretudo isso: aceitar o mistério, e conviver com ele. Somos feitos de mistério. É nosso barro, nossa matéria original.

segunda-feira, 3 de março de 2014

LENDO HEIDEGGER, TOMANDO DECISÕES...

Mergulhando no cúmulo da abstração heideggeriana, e decidindo, muito seriamente, fazer faculdade de Filosofia logo que terminar esta de Letras que estou fazendo.
Na verdade, algumas decisões foram tomadas estes dias. A já mencionada acima, a de tentar trabalhar na iniciativa privada, como professor de português mesmo, e, possivelmente (esta ainda está em "tramitação"): optar definitivamente pelo celibato.
Há muito para estudar. É preciso crescer. Talvez não dê mesmo para me dedicar a alguém...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

TENTANDO RESOLVER A CONTRADIÇÃO...

Pois é. Me contradisse.
O que aconteceu foi que eu julgava a minha inclinação a criar sempre a partir de mim mesmo como uma pequena "miséria" minha. Assim, a combatia. Até descobrir que não é uma miséria, e então me despedir do sentimento de culpa e do auto-enfrentamento, nesse caso específico.
Mas não penso que não se deva contrariar a própria natureza em nada. Muitas vezes devemos contrariá-la. Na verdade, sempre que a razão nos apontar problemas em nossa natureza. É preciso trabalhar-se, e todos têm de fazê-lo.
Alguém objetará: mas se a identificação do problema é feita pela própria pessoa que tem o problema, não se dará, sempre, uma circularidade que impedirá qualquer diagnóstico perspicaz?
Talvez. Mas é preciso ter em mente que nós, seres humanos, participamos da Razão, e ela tem de ser universal. Assim, se ela é "operante" em nós, nós temos de ser capazes de auto-avaliação.
Enfim, muito pano para manga.